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Quando Não Há Orçamento, Existe Método
A origem da Plaud no Brasil e a lógica do crescimento sem verba
A maior parte dos empreendedores usa falta de orçamento como argumento para justificar crescimento lento. É um raciocínio confortável, mas raramente verdadeiro. O que separa uma operação que cresce do que não cresce, na maioria dos casos, não é volume de investimento, é clareza de método. Jacke Chum viveu isso desde os quinze anos, quando fundou a J7 sem investidor, sem família empresária por trás e sem nenhum capital inicial relevante. Tudo foi construído por relacionamento, indicação e entrega de qualidade.
Foi com essa mentalidade que ela se conectou com Lucas, a pessoa que trouxe a Plaud para o Brasil ainda no início de 2024. Lucas é daquele tipo de profissional que passa horas garimpando inovações em sites obscuros do exterior, e quando colocou a mão no produto pela primeira vez, ficou obcecado. Mostrou para alguns empresários de uma comunidade que participava, e o efeito foi imediato: todo mundo queria um. Jacke conheceu Lucas exatamente nesse momento, querendo comprar o produto. A amizade começou ali, e pouco tempo depois os dois foram juntos para um evento grande dessa mesma comunidade com algumas unidades debaixo do braço.
Nesse evento, venderam mais de cento e cinquenta unidades de boca a boca. Sem estande profissional, sem apresentação elaborada, sem pitch de vendas ensaiado. As pessoas compravam porque confiavam em quem estava indicando, porque o produto chamava atenção naturalmente e porque a explicação era simples o suficiente para qualquer pessoa entender. Depois do evento, Jacke e Lucas se sentaram e reconheceram o que tinham: um negócio real, com demanda genuína e uma janela de oportunidade clara. A pergunta que ficou foi como escalar sem perder a essência do que havia funcionado.
O Princípio da Venda por Educação
Por que educar converte mais do que vender diretamente
A venda por educação parte de uma premissa simples: quando o cliente entende profundamente o produto, ele mesmo decide comprar. Não por pressão, não por oferta irresistível, não por gatilho de escassez forçado. Por convicção genuína. E essa convicção, uma vez formada, transforma o comprador em defensor. O ciclo de indicação começa de forma natural, sem nenhum programa de referral estruturado.
Para a Plaud, isso era especialmente necessário porque o produto enfrenta uma objeção imediata e quase universal: meu celular já grava, eu já tenho aplicativos que fazem isso. É uma objeção difícil de vencer no modelo tradicional de venda, onde o foco está em argumentar sobre features. No modelo educativo, a estratégia é diferente. Em vez de combater a objeção de frente, a abordagem foi mostrar o que acontece depois da gravação, como o produto resolve dores específicas de comunicação, memória e produtividade que nenhum aplicativo gratuito resolve com a mesma fluidez. Quando a pessoa entende isso, ela mesma conclui que o produto é diferente e que vale o investimento.
Esse processo também gera um segundo efeito poderoso: quem foi educado sobre o produto consegue educar outras pessoas. O ciclo de boca a boca passa a funcionar de forma mais estruturada, porque o embaixador tem vocabulário, tem argumentos, consegue responder às objeções que surgem na conversa. Isso é exatamente o que o social selling bem executado busca construir: uma cadeia de influência orgânica que amplifica a mensagem sem custo adicional de mídia. A Plaud fez isso antes mesmo de ter uma operação comercial formalizada.
Comunidade Como Canal de Distribuição
A estratégia da Apple aplicada a um produto de hardware com IA
Jacke foi enfática sobre a inspiração estratégica da Plaud: construir uma marca de status, nos moldes do que a Apple faz. Não uma marca que vende, mas uma marca que as pessoas querem defender. Uma marca onde o usuário sente orgulho de usar, exibe o produto, responde perguntas sobre ele espontaneamente e convence outras pessoas a comprarem sem receber nada em troca. Essa é uma das formas mais baratas e escaláveis de construir presença de mercado.
O caminho escolhido para chegar lá foi identificar quais eram as pessoas com maior capacidade de influenciar as comunidades certas. Não necessariamente os maiores criadores de conteúdo do país, mas os chamados top voices: pessoas que têm autoridade real dentro dos grupos que a Plaud queria atingir. Thiago Nigro, Flávio Augusto, Tales Gomes, Alfredo Soares. Cada um entregou o produto, ficou apaixonado e passou a falar sobre ele de forma genuína. Não há campanha paga que consiga replicar a credibilidade de uma recomendação espontânea vinda de alguém que o público já admira.
Além dessas conexões estratégicas, a Plaud investiu em presença em eventos. O VTEX Day foi o primeiro grande palco, com mais de vinte mil participantes. Mas antes mesmo desse evento oficial, Jacke e sua equipe criaram um estande que viralizou com dez milhões de visualizações, partindo de uma conta com trinta mil seguidores, sem um real de impulsionamento pago. O conteúdo orgânico funciona quando o produto tem diferencial genuíno e quando a comunicação está alinhada com o que o público já busca. Essa é a lógica que vender com conteúdo e constância representa na prática: não é sobre frequência cega, é sobre entregar substância onde a audiência certa está prestando atenção.
O Diferencial Físico em um Mundo de Software
Por que ter um hardware muda completamente a equação competitiva
A Plaud compete, à primeira vista, com uma categoria repleta de alternativas gratuitas. Qualquer smartphone grava áudio. Existem dezenas de aplicativos que transcrevem, resumem e organizam anotações. E ainda assim, o produto físico cria uma barreira competitiva que nenhum software consegue reproduzir. Por uma razão simples: ele é palpável. Você pega, vê, leva no bolso, exibe. Quando alguém pergunta o que é aquilo no seu pulso ou na sua mesa, a conversa começa automaticamente. O produto vende a si mesmo no momento em que é visto.
Além disso, há um argumento técnico relevante. O celular grava, mas é um gravador dentro de um dispositivo que serve para centenas de outras funções. Quando você está em uma reunião com o celular na mão, a atenção se divide. Chega notificação, surge a tentação de verificar uma mensagem, bate a vontade de anotar algo em outra ferramenta. A Plaud é exclusivamente um gravador inteligente. Quando você a liga, não tem nada mais a fazer além de estar presente. E como destacado no episódio, o aparelho não precisa de internet para funcionar durante a gravação, não depende da bateria do celular e consegue capturar ligações telefônicas por meio de uma tecnologia de vibração ultrassensível, algo que nenhum aplicativo de celular consegue fazer pelo WhatsApp ou por chamadas convencionais.
O resultado disso é que o diferencial da Plaud não está apenas no que o produto faz, mas no que ele libera no usuário. Um médico que usa a Plaud durante uma consulta consegue olhar nos olhos do paciente enquanto o aparelho captura tudo. Um advogado que a utiliza em uma reunião complexa consegue estar presente no argumento jurídico em vez de ficar digitando em um notebook. Um empresário que a leva para um evento sai com toda a inteligência do dia organizada, resumida e pronta para uso. Essa transformação contextual é o que a inteligência artificial para vendas B2B começa a entregar quando saímos do campo teórico e entramos no uso diário real.
Modelo de Negócio: Hardware Mais Recorrência
Como a Plaud se tornou lucrativa onde outras falham
Existe um dado que chama muito a atenção no cenário atual de inteligência artificial. A OpenAI, uma das empresas mais valorizadas do mundo no setor, opera no déficit: faturou quarenta bilhões de dólares em um ano e gastou cinquenta bilhões, resultando em um saldo negativo de dez bilhões. Esse não é um caso isolado. Praticamente todas as grandes plataformas de IA do planeta estão na corrida para capturar mercado a qualquer custo, aceitando prejuízo como estratégia de expansão na esperança de que quem se firmar como referência vai levar o jogo inteiro.
A Plaud fez o caminho oposto. Ela combinou produto físico, com preço cheio e sem subsídio, com uma assinatura de IA relativamente acessível (em torno de cento e vinte reais por mês no plano ilimitado) que garante a recorrência do negócio. O hardware é vendido sem desconto estrutural, o que mantém margem real. A assinatura entrega as funcionalidades de IA, que melhoram continuamente sem elevar o custo de aquisição de novos usuários de forma exponencial. É um modelo parecido com o que a Nespresso construiu: a máquina entra como produto de status e a cápsula, no caso da Plaud a assinatura digital, sustenta a recorrência.
Mais do que isso, a Plaud não usa os dados dos usuários para treinar seus modelos de IA. Em um momento onde privacidade de dados é uma preocupação crescente, esse posicionamento gera diferenciação real e credibilidade junto a profissionais que lidam com informações sensíveis: médicos, advogados, consultores, executivos. E a empresa já integra dentro do aplicativo as principais ferramentas de IA do mercado, como ChatGPT, Claude e Gemini, permitindo que o usuário escolha o modelo com o qual quer trabalhar. Quando o produto resolve a dor de forma simples e confiável, a retenção vira consequência, não uma batalha constante. Essa é a mesma lógica que torna as ferramentas de inteligência artificial para vendas verdadeiramente úteis: não são as que fazem mais, são as que resolvem bem aquilo a que se propõem.
Founder Led Growth e a Marca Pessoal Como Ativo Estratégico
A trajetória de Jacke Chum e o que a dança tem a ver com vendas
Jacke começou a dançar aos três anos. Competiu, ensinou, viveu a dança de dentro para fora. Mas chegou um ponto em que precisou escolher: seguir uma carreira que dependia fortemente de fatores externos, como oportunidades e contratos de terceiros, ou construir algo onde as decisões estivessem mais nas suas mãos. A escolha foi o marketing e a publicidade, campo em que se sentia naturalmente à vontade pela mesma razão que amava a dança: comunicação, presença, conexão com pessoas.
A J7 nasceu com um logo vendido por cinquenta reais para um amigo da época da dança. Doze anos depois, a agência já atendeu marcas como Disney, Dell e Gran Cru. Mas o grande salto estratégico da empresa veio quando Jacke entendeu que não bastava aplicar marketing por cima de um negócio com problemas estruturais. Era preciso entender a fase do negócio, o momento de crescimento em que o cliente se encontrava e o que de fato precisava ser resolvido antes de qualquer campanha. Essa virada de chave, de agência de marketing para consultoria de negócios com marketing, foi o que preparou o terreno para a parceria com a Plaud.
A marca pessoal foi o que abriu as portas que o portfólio sozinho não abriria. Jacke estava nos lugares certos, com as pessoas certas, porque construiu posicionamento ao longo de anos: sempre de rosa para ser reconhecida, sempre conectando pessoas, sempre presente nos ambientes onde estavam os top voices que mais tarde se tornariam embaixadores da Plaud. Esse é o princípio central do Founder Led Growth: quando o fundador tem autoridade real e presença consistente, ele carrega consigo a credibilidade que o produto ainda não tem. E essa credibilidade transferida é muitas vezes o principal ativo de GTM de uma empresa nos seus primeiros anos.
A Estratégia de Entrada no Mercado Sem Intermediário
De distribuidor para parceiro direto com a China
A trajetória da Plaud no Brasil não começou com uma negociação formal em Xangai. Começou em um evento local, com um estande construído com atenção obsessiva ao detalhe, de forma que os fundadores da marca ficaram impressionados ao ver o que estava sendo feito no Brasil sem que eles tivessem orientado nada. Jacke e sua equipe já operavam com um distribuidor que atendia a América Latina, mas a qualidade da execução local chamou a atenção da Plaud de forma que o relacionamento evoluiu para uma parceria direta, sem intermediário.
O ponto que mais chama atenção nessa história é a rigorosidade da curadoria de parceiros. Jacke foi explícita: apareceram centenas de oportunidades para associar a Plaud a pessoas e eventos que simplesmente não faziam sentido para o posicionamento da marca. E todas foram recusadas. A lógica era a mesma da Apple: uma marca de status não pode ser queimada por uma oportunidade de curto prazo que destoa do território de imagem que se quer construir. Cada parceria aceita reforçava a percepção de que a Plaud é para quem pensa em inovação, produtividade e tecnologia com seriedade. Cada parceria recusada protegia esse território.
Essa disciplina de posicionamento é rara, especialmente quando o negócio ainda está crescendo e a pressão por volume é alta. Mas é exatamente essa disciplina que cria marcas com valor de longo prazo em vez de marcas que escalam rapidamente e perdem substância no caminho. Conectar os pontos entre storytelling em vendas e posicionamento de marca revela que a narrativa de uma empresa é construída não só pelo que ela comunica, mas pelo que ela escolhe não comunicar ou não se associar.
O Futuro Pertence a Quem Simplifica
Por que inovar não é recriar a roda
Existe uma ansiedade crescente no mercado de tecnologia: tudo muda muito rápido, novos produtos surgem a cada semana, plataformas de IA se multiplicam e parece impossível acompanhar. Mas Jacke traz uma perspectiva que vai na contramão dessa sensação. As marcas que vão permanecer relevantes não são as que criam categorias completamente novas do zero. São as que pegam algo que as pessoas já conhecem e entendem, e entregam uma versão melhorada, mais simples e mais adequada ao momento atual.
A Plaud é um gravador de voz. Todo mundo sabe o que é um gravador de voz. Não é preciso explicar o conceito para nenhum cliente. O que precisa ser explicado é o que a IA faz depois da gravação, e essa explicação é simples, rápida e convincente. Em dois minutos alguém entende o produto. Em três minutos está explicando para outra pessoa. Quanto menor a barreira cognitiva de entrada, maior a velocidade de adoção e mais forte o efeito de rede que se forma em torno do produto. Essa lógica se aplica a qualquer produto ou serviço inovador que precise de escala.
Por outro lado, há um alerta implícito nessa discussão. A simplicidade é uma escolha estratégica difícil de sustentar, especialmente quando o mercado pressiona por mais features, mais integrações e mais complexidade. A Plaud resistiu a essa pressão porque entendeu que o grande diferencial competitivo está em ser a melhor no que faz, não em tentar fazer tudo. E as marcas que hoje tentam copiar o produto precisam não apenas reproduzir o hardware, mas reproduzir dois anos de construção de comunidade, de educação de mercado e de associação de marca com pessoas de autoridade. Essa é a barreira competitiva real: não é o produto, é o significado que o produto carrega para quem o usa. Para entender como construir esse tipo de posicionamento em escala, faz sentido estudar as estratégias para construir uma máquina de crescimento previsível e os fundamentos que sustentam o crescimento sustentável.
O que a Plaud Ensina Sobre Inteligência Artificial no Cotidiano
IA como co-piloto, não como substituto
Uma das reflexões mais relevantes do episódio veio quando Jacke e Thiago compararam a visão brasileira sobre IA com a americana. No Brasil, a tendência ainda é tratar inteligência artificial como ferramenta: algo que você abre quando precisa, usa para uma tarefa específica e fecha. Nos Estados Unidos, a percepção que Thiago observou em eventos como o HubSpot em São Francisco é diferente: a IA é tratada como membro da equipe. Tem nome, tem responsabilidades, faz parte do fluxo de trabalho de forma integrada e permanente.
A Plaud encarna essa filosofia melhor do que qualquer plataforma puramente digital. O dispositivo fica no corpo, acompanha o usuário ao longo do dia, registra o que ele esqueceria e organiza o que seria perdido na memória. Quando Thiago foi ao evento nos Estados Unidos, as transcrições já estavam traduzidas para o português antes mesmo de ele precisar pedir. Esse tipo de comportamento preditivo, silencioso e eficiente é o que define o uso maduro de IA: não é a ferramenta que pede atenção, é a que trabalha enquanto você está presente no que importa.
Além da captura de informações, a Plaud já permite automações que levam o conteúdo transcrito diretamente para o CRM, para o Google Drive ou para qualquer base de dados integrada. A mágica não está no que o produto faz, está no que você faz com o que ele entrega. Essa frase, dita com precisão no episódio, resume exatamente o que as ferramentas de IA para pesquisa de mercado B2B representam quando usadas estrategicamente: não são fins em si mesmas, são multiplicadores do que o profissional já faz bem.
Marca Pessoal, Comunidade e o Que Vai Diferenciar Humanos da IA
O ativo que nenhuma plataforma consegue copiar
Jacke fechou o episódio com uma reflexão que vai além da Plaud e toca algo mais amplo sobre o momento que estamos vivendo. Com a proliferação de plataformas de IA para criação de conteúdo, há um risco concreto de homogeneização: todos os textos ficam parecidos, todos os posts seguem os mesmos formatos, todos os criadores usam as mesmas estruturas porque as ferramentas apontam para as mesmas tendências. Isso gera volume, mas não autoridade. Gera alcance momentâneo, mas não posicionamento duradouro.
O que vai diferenciar profissionais e empresas nos próximos anos não é quem usa mais IA, mas quem constrói uma marca pessoal, uma comunidade e um posicionamento que a IA não consegue replicar. A Jacke chegou à Plaud não porque era a melhor agência de marketing do Brasil, mas porque estava nos lugares certos, com as pessoas certas, com um histórico de entrega que criou confiança antes de qualquer conversa comercial. Essa é uma vantagem que leva anos para construir e que não tem substituto algorítmico.
Usar IA como parte do negócio, e não apenas como ferramenta pontual, é o que separa quem escala de quem apenas experimenta. E manter o que nos torna humanos, as relações, a comunidade, o posicionamento, a presença em eventos e conversas reais, é o que garante que esse uso de IA gera diferenciação real em vez de mais ruído no mercado. Para quem quer entender como captar clientes com IA e multiplicar vendas sem perder a autenticidade que gera confiança, o episódio com Jacke Chum é um caso de estudo completo sobre como fazer isso com inteligência, método e foco estratégico.
Se o que Jacke Chum construiu com a Plaud no Brasil mostra alguma coisa, é que distribuição orgânica ainda é o canal mais poderoso que existe quando o produto é bom, a comunicação é clara e as pessoas certas são alcançadas com a mensagem certa. Não é sorte. É método. E método é algo que pode ser aprendido, estruturado e replicado.
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Respostas de 3
Parabens pelo conteúdo , é realmente benefico, mas gostaria de lhe sugerir que na proxima deixes também alguns exemplo.
Obrigado pelo feedback, Donato!
Muito bom esse conteúdo, obrigado por compartilhar!